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Quarta-feira, 10 de Junho 2026
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Empresas do Sul de Minas antecipam redução de jornada e mudam rotina de funcionários

Mudança ainda em discussão no Congresso já levou empresas a adotarem escalas 5x2 e 12x36 para atrair profissionais e melhorar qualidade de vida dos funcionários.

Portal de Notícias Tonogiro
Por Portal de Notícias Tonogiro
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Empresas do Sul de Minas antecipam redução de jornada e mudam rotina de funcionários
Reprodução g1
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Empresas de Pouso Alegre, no Sul de Minas, começaram a testar a redução da jornada de trabalho antes mesmo do fim da discussão no Senado. A mudança já alterou escalas, a rotina de funcionários e até o funcionamento de um restaurante da cidade.

Um hotel da cidade adotou a nova jornada no fim de 2024. A unidade tem 34 funcionários e reorganizou as equipes em dois formatos: recepcionistas trabalham na escala 12x36, um dia de trabalho para um dia e meio de folga, enquanto os demais seguem a escala 5x2.

Segundo a gerente-geral, Thaís Helena Silva, a mudança veio como estratégia para atrair e manter profissionais em um mercado competitivo.

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"A rede hoteleira é bastante complexa para a contratação e nós verificamos que a gente estava perdendo bastante colaboradores para indústrias. Então nós fomos buscar o que as indústrias tinham que nós não tínhamos. Entre os benefícios, um deles era o fator da escala. Então, nós decidimos mudar a escala de 6 por 1 para 5 por 2, para a pessoa ter mais qualidade de vida e também para atrair e reter pessoas aqui na unidade", afirmou.

A rede possui oito hotéis, sendo seis no Sul de Minas, e já estuda expandir o modelo para outras unidades.

Para os funcionários, a mudança trouxe impacto direto na rotina. O supervisor de recepção, Allyson Eder Lucas, que trabalha no hotel há sete anos, relata que agora consegue equilibrar melhor o descanso e as tarefas do dia a dia.

"Antes, na 6x1, a gente ficava muito limitado a esse dia usar só para descansar e fazer as coisas muito corridas, ficava muito difícil. Agora, atualmente, a gente consegue pegar esse um dia para descanso e consegue também pegar um dia para resolver pendências que a gente tem em casa, assuntos que a gente tem para resolver no centro", disse.

Outro exemplo vem do setor de alimentação. A empresária Lidiane Alves também decidiu antecipar a mudança e implementou a escala 5x2 para os 14 funcionários do restaurante em março. Para viabilizar a adaptação, ela alterou o funcionamento do negócio e deixou de abrir ao público às terças, quartas e quintas-feiras.

A decisão, segundo ela, envolve custos e desafios na contratação de mão de obra.

"Pelo que eu converso, quando eu vou a algum congresso, algum encontro de empreendedores, a maior dor que o empreendedor está tendo hoje no Brasil é a contratação de mão de obra. Está muito difícil. Então, para mim, já conseguir ter essa equipe que eu tinha, já foi difícil conseguir fazer a equipe ficar redondinha. E aí quando veio a possibilidade, eu falei, gente, vou ter que contratar mais um de cada para substituir o dia desse, ou seja, seria pelo menos 20% a mais no custo e aí eu teria que repassar esse custo, né?", explicou.

"É um teste que a gente está fazendo porque, graças a Deus, no momento eu sou uma comerciante que não pago aluguel. Agora, se eu pagasse aluguel, não sei como que seria", completou.
Empresas do Sul de Minas antecipam redução de jornada e mudam rotina de funcionários — Foto: Reprodução EPTV
Empresas do Sul de Minas antecipam redução de jornada e mudam rotina de funcionários — Foto: Reprodução EPTV

Especialistas avaliam que a antecipação da jornada reduzida funciona como um laboratório para as empresas. O objetivo é entender como adaptar a operação caso a proposta seja confirmada no país.

"O Sul de Minas tem um mercado de trabalho muito aquecido e, para alguns segmentos específicos, hotéis e restaurantes, há uma dificuldade muito grande de mão de obra. Então, é um ponto interessante para que essas empresas possam ser mais atrativas", afirmou o especialista em gestão Danilo Lefol.

A Federação do Comércio de Minas Gerais também defende mais debate sobre o tema e apresentou uma proposta alternativa baseada na flexibilização da jornada por horas, mantendo os direitos trabalhistas.

"É o trabalho por hora com os direitos garantidos. Essa proposta foi feita após uma pesquisa feita a nível nacional, para que as pessoas que trabalham hoje não tenham seus direitos perdidos. [...] Abre uma flexibilização na nossa CLT, permitindo que a pessoa trabalhe 20, 30 ou 40 horas por semana, até mesmo em mais de uma empresa, com todos os direitos garantidos", disse o diretor da Fecomércio e presidente da Sindvale, Alexandre Magno.

Apesar dos desafios, empresas que já fizeram a mudança relatam melhora no atendimento e no desempenho das equipes.

"A pessoa quando ela tem mais qualidade de vida, ela tem mais qualidade no serviço. Isso impacta diretamente no atendimento ao cliente", concluiu a gerente Thaís Helena Silva.

FONTE/CRÉDITOS: g1 Sul de Minas

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