A busca pela CNH revelou desafios marcantes para Reiner Jesus Martins, um jovem de 20 anos que nasceu sem os dois braços. Morador de Lavras, em Minas Gerais, ele precisou conciliar as exigências do processo de habilitação com a rotina da faculdade de agronomia durante nove meses.
O trajeto até a aprovação envolveu burocracia, troca de cidades e barreiras estruturais. Reiner iniciou os trâmites em novembro do ano passado, mas esbarrou na demora para a emissão de laudos e no fato de que a primeira autoescola escolhida não possuía veículos adaptados para as suas necessidades.
Para conseguir realizar o sonho de dirigir com os pés, o estudante precisou se deslocar até Pará de Minas. No município, encontrou um estabelecimento com um carro equipado com câmbio automático, comandos direcionados aos membros inferiores e acelerador invertido.
Foram 30 horas de aulas práticas intensas concentradas em quinze dias de julho. O exame final ocorreu em 5 de agosto, resultando na aprovação definitiva do jovem condutor.
Apesar da conquista, Reiner destacou que a maior dificuldade não esteve na adaptação ao veículo, mas sim na postura de alguns profissionais. Ele relatou episódios de capacitismo e julgamentos antecipados, especialmente durante etapas médicas ligadas ao Detran.
Para o estudante, a sociedade ainda carece de preparo básico para acolher cidadãos com deficiência. O apoio familiar, presente desde a infância, foi fundamental para que ele desenvolvesse autonomia e superasse preconceitos ao longo da vida.

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