A recuperação judicial da exportadora Manga Coffee teve um novo desdobramento em Minas Gerais, após a Justiça determinar que o Grupo Franciscini honre os compromissos assumidos em 2024. A medida exige que o conglomerado cafeeiro retome o fornecimento de grãos estabelecido no plano para garantir o repasse de recursos aos credores.
Conforme os autos do processo, o acordo previa inicialmente a entrega de 50 mil sacas de café à Ecocafé, empresa criada para centralizar a comercialização e gerar receita. Posteriormente, o volume deveria alcançar um fluxo anual de 144 mil sacas, totalizando cerca de 331 mil unidades destinadas ao abatimento das dívidas da companhia sediada em Varginha.
Segundo a advogada Nayara Alves Pereira, o pacto deixou de ser cumprido no início deste ano. A representação jurídica apontou que o grupo obteve vantagens com o plano ao levantar cerca de R$ 4 milhões, mas não entregou integralmente o volume acordado, motivando o ajuizamento da ação para obrigar o cumprimento da obrigação.
A crise financeira da Manga Coffee veio à tona em 2023, quando a empresa atribuiu os problemas aos prejuízos causados por secas e geadas nas lavouras. Em março de 2024, foi apresentado um plano que estimava débitos próximos a R$ 400 bilhões, incluindo a criação da categoria de credores parceiros para viabilizar a continuidade do fornecimento de café na região.
Enquanto o processo avança na Justiça, diversos produtores e corretores relatam impactos severos em suas finanças. Profissionais do setor cafeeiro afirmam ter acumulado prejuízos expressivos e enfrentado dificuldades após a suspensão dos pagamentos por parte da exportadora.
Procurada pela reportagem, a defesa do Grupo Franciscini informou que apenas irá se manifestar oficialmente após ter acesso integral aos autos do processo.

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