Acidente que derrubou passarela na Fernão Dias causa congestionamento de 23 km e obriga motoristas de MG a buscar rotas alternativas
Interdição da BR-381 após queda de estrutura em Vargem (SP) provocou horas de espera, atrasos em viagens e mudanças de percurso. Duas pessoas morreram e motorista da carreta foi preso.
O desabamento de uma passarela na Rodovia Fernão Dias (BR-381), em Vargem (SP), provocou longos congestionamentos, atrasos em viagens e obrigou motoristas a recorrerem a caminhos alternativos nesta terça-feira (18). Segundo a concessionária Motiva, a fila chegou a 23 quilômetros no sentido Belo Horizonte. O acidente deixou duas pessoas mortas e levou à prisão do motorista da carreta envolvida.
A estrutura caiu depois que uma carreta que transportava um caminhão basculante atingiu um dos pilares da passarela, no km 4,1 da rodovia. As pistas nos dois sentidos ficaram interditadas durante os trabalhos de remoção dos blocos de concreto.
Desde o início da tarde, o congestionamento ainda era intenso próximo à divisa entre Minas Gerais e São Paulo. Embora uma das vigas tenha sido retirada e a pista sul parcialmente liberada, quem seguia para São Paulo continuava enfrentando horas de espera, sem previsão de normalização do tráfego.
A interdição afetou milhares de motoristas. O motorista de ônibus Flávio Henrique Pires, de Varginha, precisou mudar os planos da viagem que fazia com 25 passageiros para a capital paulista. A chegada estava prevista para as 11h30, mas muitos passageiros decidiram abandonar o ônibus para buscar alternativas.
"Os passageiros perguntaram se poderia buscar alternativa, eu disse que sim. Aí pegaram a bagagem, uns conseguiram carona, porque alguns carros estavam passando por um caminho alternativo, que por um ônibus não dá para passar, e outros foram até o centro da cidade aqui e conseguiram carro de aplicativo para ir até São Paulo, que tinham compromissos urgentes", relatou.
Caminhoneiros também ficaram horas parados no congestionamento.
Para tentar escapar do bloqueio, muitos condutores passaram a utilizar estradas de terra da região. Os caminhos vicinais se transformaram em uma rota improvisada para quem precisava seguir viagem.
Enquanto os motoristas enfrentavam os transtornos, equipes da concessionária e da Polícia Rodoviária Federal trabalhavam na retirada da passarela. Cinco guindastes e caminhões foram mobilizados na operação para remover os módulos de concreto que ficaram espalhados pela pista.
Por volta de 20h, a pista no sentido a São Paulo foi totalmente liberada. Já no sentindo Belo Horizonte, o congestionamento era de cerca de 23 quilômetros e não havia previsão para liberação.
O acidente aconteceu às 10h06 e foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o momento em que a carreta atinge a estrutura, provocando o desabamento. Um carro que seguia no sentido São Paulo foi atingido pelos blocos de concreto.
No veículo estavam Rosângela Soares Chaves, de 63 anos, e o filho dela, Douglas Soares Quaresma, de 40 anos, moradores de Belo Horizonte. Os dois morreram no local. Um motorista de caminhão também ficou ferido.
Após o acidente, o motorista da carreta foi levado para a delegacia de Vargem. Apesar de o teste do bafômetro ter dado negativo, ele foi preso em flagrante por homicídio culposo e lesão corporal culposa. Segundo a Polícia Civil, a carga transportada excedia as dimensões autorizadas de altura e largura.
De acordo com o delegado Hermes Jun Naksahima, a autorização apresentada pelo transportador era válida para medidas menores do que as verificadas pelos policiais.
"Foi verificado pela Polícia Rodoviária Federal que ele tinha uma autorização de carga superdimensionada, só que ele estava extrapolando a metragem. Ele tinha uma autorização, mas com uma metragem menor, tanto de largura quanto de altura", afirmou.
A empresa XCMG Brasil, proprietária do caminhão basculante transportado pela carreta, informou que não era responsável pela execução do transporte nem pelo frete, que estavam sob responsabilidade de uma empresa especializada contratada para a operação logística. A companhia afirmou ainda que acompanha o caso e colabora com as investigações.

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