A morte da ciclista de ultradistância Eliana Tamietti durante o Bikingman Brasil, ocorrida em maio de 2026, chamou a atenção para o nível de exigência física e mental das competições de ultraciclismo. O evento, que percorre 555 quilômetros entre São Paulo e Minas Gerais, é conhecido por trajetos em regiões montanhosas e estradas rurais isoladas, sendo considerado um dos mais difíceis da modalidade.
O percurso do Bikingman Brasil é planejado para priorizar estradas secundárias e regiões de difícil acesso, evitando rodovias movimentadas. Segundo a organização, a escolha pela Serra da Mantiqueira visa proporcionar vistas privilegiadas, mas impõe subidas íngremes e descidas técnicas em antigas estradas de tropeiros.
Dados do GPS da atleta indicam que ela havia percorrido 219,8 km — quase metade da prova — no momento da morte. O trajeto, com saída e chegada em São José dos Campos (SP), corta fazendas e pequenas cidades, exigindo que os ciclistas lidem com inclinações acentuadas e terrenos irregulares ao longo de todo o caminho.
Um dos pilares do Bikingman é a autossuficiência. Isso significa que os competidores devem carregar todo o equipamento necessário para a sobrevivência e manutenção da bicicleta, sem auxílio externo. A modalidade exige que o atleta gerencie sua própria alimentação, hidratação e períodos de descanso.
Itens obrigatórios de segurança
- Manta térmica e capa de chuva;
- Iluminação frontal e traseira de alta potência;
- Colete refletivo para pedaladas noturnas;
- Ferramentas e kits de reparo emergencial;
- Quantidade mínima de água e suprimentos básicos.
Além da carga extra, a privação de sono é um fator crítico. Os atletas de elite costumam completar o percurso em um intervalo de 24 a 28 horas sem dormir. O desgaste físico e mental costuma se intensificar na segunda noite de prova, quando o cansaço acumulado pode afetar os reflexos e a capacidade de tomada de decisão.
Para garantir a segurança em áreas sem sinal de celular, a organização utiliza rastreadores via satélite em tempo real. Cada equipamento possui um botão de emergência que, se acionado, coordena o resgate junto a serviços públicos e equipes médicas especializadas.
Especialistas e organizadores apontam que quedas são os riscos mais comuns, muitas vezes potencializadas pelo cansaço em trechos noturnos. No caso de Eliana Tamietti, o socorro foi acionado por colegas que pedalavam próximos à atleta. Esta foi a segunda fatalidade registrada em um histórico de 65 edições globais do evento.
A preparação para o extremo
Ciclistas experientes que participam da prova relatam que a preparação para o ultraciclismo leva meses ou até anos. O treinamento envolve musculação, acompanhamento nutricional e simulados de resistência mental para lidar com imprevistos, como chuvas fortes em meio à serra ou falhas mecânicas em locais isolados.
Conforme relatam atletas do setor, a prova exige uma capacidade constante de adaptação física e emocional. O desafio não é apenas pedalar, mas sim administrar a logística de sobrevivência enquanto o corpo é levado ao limite em um dos cenários mais desafiadores da geografia brasileira.

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