O combate à insegurança alimentar ganhou um novo capítulo no Sul de Minas. A Prefeitura de Monte Sião marcou presença ativa no Seminário Regional sobre a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizado em Itajubá. O evento faz parte da Caravana de Combate à Fome – Homenagem a Dom Mauro Morelli, uma iniciativa estratégica do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Representando o município, uma comitiva intersetorial uniu forças: membros das Secretarias de Assistência Social, Saúde e Agricultura compareceram para debater a implementação de políticas públicas integradas.
O principal objetivo do seminário foi sensibilizar e capacitar os municípios da região para a adesão ao Sisan (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional). A ausência de um sistema estruturado dificulta o mapeamento de famílias em situação de vulnerabilidade e o recebimento de recursos federais específicos para a área.
Obter recortes estatísticos exclusivos da região do Sul de Minas sobre a fome é um dos maiores desafios dos gestores públicos. Isso acontece porque as grandes pesquisas oficiais, como a PNAD Contínua do IBGE, trazem dados amostrais focados no fechamento do estado de Minas Gerais como um todo ou de suas grandes regiões metropolitanas.
Historicamente, o Sul de Minas apresenta indicadores sociais e econômicos superiores à média do estado (com forte peso na agropecuária e IDH elevado). No entanto, o próprio Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) alerta que a fome na região existe, mas é frequentemente "invisibilizada" pela média da riqueza regional.
O cenário geral do estado e as ferramentas de monitoramento local ajudam a compreender a realidade do Sul de Minas:
1. O Cenário Macroeconômico (Dados de Minas Gerais)
Segundo os dados consolidados pelo IBGE através da PNAD Contínua sobre Segurança Alimentar:
Insegurança Alimentar Geral: Cerca de 4,4 a 4,5 milhões de pessoas em Minas Gerais vivem em domicílios com algum grau de insegurança alimentar (leve, moderada ou grave). Isso representa cerca de 19,5% dos lares mineiros.
A Fome Real (Insegurança Alimentar Grave): O estado contabiliza entre 177 mil e 454 mil lares na faixa grave (onde há privação severa de alimentos, caracterizando a fome). Embora os índices mineiros sejam proporcionalmente menores do que a média nacional (o estado é o 7º com menor proporção de fome no país), os números absolutos ainda são alarmantes.
2. O Diagnóstico Local: CadÚnico e o indicador CadInsan
Como o IBGE não consegue detalhar a situação de cada município (como Monte Sião ou Itajubá), o Ministério do Desenvolvimento Social utiliza o CadInsan (Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal).
Este indicador cruza dados do Cadastro Único (CadÚnico) e do sistema de saúde (E-SUS/Triagem de Risco Alimentar) para prever o risco de fome nos municípios com base em critérios como:
Renda per capita familiar de zero a 1/4 de salário mínimo.
Presença de menores de 18 anos no domicílio.
Baixa escolaridade do chefe de família.
No Sul de Minas, o risco de insegurança alimentar está intimamente ligado à perda do poder de compra e ao emprego informal, afetando principalmente famílias numerosas da periferia urbana ou trabalhadores sazonais do campo (como os da colheita do café na entressafra).
3. A Importância da Adesão ao Sisan pelas Cidades do Sul de Minas
É justamente a falta de uma base de dados 100% municipalizada que motivou o MPMG a realizar o seminário em Itajubá. Sem o Sisan implantado nos municípios, a região enfrenta dificuldades crônicas para:
Localizar a fome: Identificar com precisão qual bairro ou comunidade rural possui crianças com déficit nutricional.
Mapear a Agricultura Familiar: O Sul de Minas é uma potência agrícola, mas se a prefeitura não mapeia a insegurança alimentar, não consegue direcionar programas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) para comprar dos pequenos produtores locais e abastecer as cozinhas comunitárias ou creches onde a vulnerabilidade é maior.

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