Uma frente fria associada a um ciclone extratropical entre Argentina e Uruguai deve provocar uma significativa mudança no padrão climático em parte do Brasil neste fim de semana. Após dias de intenso calor e tempo seco, especialmente no Sudeste e Centro-Oeste, o sistema avança pelo Sul do país, prometendo chuvas fortes, temporais e uma acentuada queda nas temperaturas, além de romper o bloqueio atmosférico que impedia as instabilidades.
Nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, será marcado o aumento das áreas de chuva no Rio Grande do Sul, com instabilidades começando na madrugada nas regiões oeste e sul e se estendendo por quase todo o território gaúcho ao longo do dia. O oeste de Santa Catarina, o oeste do Paraná e áreas do sul de Mato Grosso do Sul também sentirão os primeiros efeitos.
A meteorologista Andrea Ramos explicou que a frente fria chega bem formada e, ao encontrar áreas quentes no interior do país, favorece a formação de temporais. Estes podem vir acompanhados de rajadas de vento, trovoadas e até mesmo granizo, com maior incidência entre o Mato Grosso do Sul e o noroeste do Paraná.
Embora o sistema frontal esteja ligado a um ciclone extratropical em alto-mar, a especialista ressaltou que o impacto principal no Brasil será causado pela frente fria associada, e não diretamente pelo centro do ciclone. Mapas meteorológicos indicam uma queda acentuada da pressão atmosférica sobre o oceano, sinalizando o fortalecimento do sistema nos próximos dias.
Amanhã sábado, a frente fria ganha força e amplia a área de chuva no Sul do país. Santa Catarina e Paraná devem registrar acumulados mais expressivos, especialmente nas regiões oeste e sul. Em Mato Grosso do Sul, o contraste entre calor intenso e umidade também eleva o risco de temporais.
São Paulo começará a sentir os efeitos da mudança no tempo entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado, inicialmente pela faixa sul do estado e pelo litoral. Andrea Ramos indicou que há uma tendência de aumento de nebulosidade e possibilidade de chuva já no sábado na capital paulista, mesmo que os volumes iniciais não sejam expressivos. No domingo, a condição de chuva se torna mais consolidada em São Paulo.
As instabilidades devem avançar principalmente sobre o centro, sul e leste paulista durante o fim de semana. Minas Gerais e Espírito Santo, contudo, devem permanecer fora da área de influência mais intensa da frente fria neste primeiro momento.
Enquanto o Sul e parte do Sudeste experimentarão uma mudança significativa no tempo, o Centro-Oeste seguirá com predomínio de calor e tempo seco, à exceção do sul de Mato Grosso do Sul, que será afetado pelas instabilidades.
Nas regiões Norte e Nordeste, a chuva permanece concentrada em áreas já atingidas. A faixa litorânea entre Rio Grande do Norte e Bahia continua sob influência de cavados atmosféricos e da entrada de umidade do oceano, mantendo condições para chuva forte e persistente, incluindo Salvador e o litoral pernambucano, que recentemente registraram alagamentos.
A Zona de Convergência Intertropical também mantém instabilidades sobre a faixa norte do país. Maranhão, Piauí, Ceará, Amazonas, Pará, Amapá e Acre devem permanecer em atenção para pancadas de chuva localmente intensas. Andrea Ramos afirmou que Manaus, Belém e Macapá continuam com condições favoráveis para chuva forte, e no domingo, a chuva deve ganhar intensidade no Acre e em Rondônia.
Além da chuva, o avanço da frente fria promete uma queda acentuada das temperaturas no Sul do país. A massa de ar frio associada ao sistema começará a atuar no Rio Grande do Sul no sábado e se intensificará no domingo. Mapas de temperatura indicam mínimas entre 4°C e 6°C em áreas do sul gaúcho no domingo. O resfriamento também deve atingir Santa Catarina, Paraná e o sul de Mato Grosso do Sul. A meteorologista alertou para a possibilidade de geada ampla no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no centro-sul do Paraná, principalmente no domingo.
A tendência, segundo Andrea Ramos, é de um fim de semana de forte contraste climático no país, com chuva e queda de temperatura avançando pelo Sul e parte do Sudeste, enquanto outras áreas do Norte e Nordeste continuam sob influência do calor e da elevada umidade.

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